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Quinze anos
Entre um universo
e outro o que os une é a solidão. Mulheres de um lado, homens de outro,
compartilhando a vida com amigas e amigos, à espera de serem “tirados para
dançar”. Parece que a sociedade moderna nos robotizou, tornou-nos tão
mecânicos que perdemos a capacidade de nos apaixonar. E, mais ainda, de
amar. Construímos um muro em nosso redor com tijolos de intolerância.
Ficamos tão seletivos que ficamos sós. |
Tom
Coelho, com graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela
ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no
Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário, consultor, professor universitário,
escritor e palestrante.
Diretor da Infinity Consulting e Membro Executivo do NJE/Fiesp.
E-mail
tomcoelho@tomcoelho.com.br
Visite:
www.tomcoelho.com.br |
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“Há vários motivos
para não se amar uma pessoa. E um só para amá-la”.
(Carlos Drummond de Andrade)
Há uma
queixa recorrente e consensual entre as mulheres. Atualmente, está se
tornando uma missão quase impossível encontrar um homem que reúna
características como cavalheirismo, inteligência e intelectualidade aos
atributos de um autêntico Don Juan, tais como masculinidade,
sensualidade e beleza física. Tudo o que elas querem é alguém capaz de
tirar-lhes o fôlego, surpreendê-las, fazê-las perder a racionalidade. Mas
que depois as traga de volta ao plano terreno, à objetividade e pragmatismo
necessários, sem deixar esvair o encantamento.
Há
também um consenso entre os homens. Nos dias de hoje, há mulheres para se
curtir e mulheres para se namorar. E raramente são as mesmas. A expressão
usual assemelha-se a: “Uma garota como esta não se encontra por aí... Cuide
bem dela, mantenha este relacionamento. E aproveite para se divertir com as
mulheres erradas, enquanto isso”.
Entre
um universo e outro o que os une é a solidão. Mulheres de um lado, homens de
outro, compartilhando a vida com amigas e amigos, à espera de serem “tirados
para dançar”. Parece que a sociedade moderna nos robotizou, tornou-nos tão
mecânicos que perdemos a capacidade de nos apaixonar. E, mais ainda, de
amar. Construímos um muro em nosso redor com tijolos de intolerância.
Ficamos tão seletivos que ficamos sós.
Amar é
olhar para outra pessoa e mais do que admirá-la, contemplá-la, observando
seus traços, suas feições, seus movimentos e não desejar perder nem um
milésimo de segundo, negando-se até mesmo a piscar. É ver a imagem da pessoa
amada refletida em outdoors, estampada no rosto de personagens da televisão.
É ter uma música em comum que marca um momento especial ou que se tornou
especial por apenas representar a lembrança de um momento. Lembro-me de
Mário Quintana: “Amar é mudar a alma de casa”.
Amar é
dialogar, o que significa falar, mas também saber ouvir. Ter a sensibilidade
para perceber quando o outro precisa apenas dizer tudo e de todas as formas,
muitas vezes sem a preocupação de que você esteja ouvindo. Basta sua
presença. Olhos que sinalizam atenção, silêncio que pronuncia respeito.
Acolhimento, conforto, generosidade. Dar como alimento o carinho.
Amar é
descoberta. É desvendar sem pressa o passado de quem se gosta não pela
neurose de uma investigação, mas pelo prazer de apreciar aquela história
como quem ouve um pequeno conto infantil ditado pelos pais ao lado da cama.
Amar é
tolerância, é concessão. Não significa mudar e nem exigir que se mude, mas
estar disposto a se adaptar e esperar que se faça o mesmo. Ajustar
expectativas, alinhar propósitos. È caminhar lado a lado, olhando juntos na
mesma direção, ainda que com visão periférica apurada. Maiakovski pontuou
acertadamente: “Amar não é aceitar tudo. Aliás, onde tudo é aceito,
desconfio que haja falta de amor”.
Amar é
transparência, é dizer o que se pensa, sabendo a hora de falar. É não
praticar a omissão achando ser possível empurrar conflitos para sob o tapete
até que um dia o vento espalhe tudo, maculando o que foi construído.
Transparência que gera credibilidade, que leva à confidencialidade, que
conduz à lealdade. A lealdade que surge não como um dever, mas como
resultado da satisfação do exercício da plenitude, de sentir-se completo.
Amar é
tocar. É beijo que acelera o pulso. Sexo com longas preliminares e aconchego
posterior. Dormir abraçado, acordar junto. Filme com pipoca, chuva romântica
do lado de fora. Cuidar e ser cuidado. Promessas insanas de juras eternas –
a eternidade que se perde num instante. É dividir a liberdade.
Amar é
superar adversidades, enfrentar o desafio da geografia que, às vezes,
distancia fisicamente dois corações. È sentir a saudade como fruto da
partida.
Amar é
intensidade, é compreender a impermanência do tempo, sua relatividade.
Significa rasgar os estúpidos calendários, quebrar os imponentes relógios e
compreender que o tempo tem uma outra dimensão. É preferível um amor intenso
de 48 horas a uma vida insípida compartilhada por uma década.
Amar é
se mostrar um grande espelho e permitir que o outro possa mirar-se em você.
Ver a si próprio enxergando aquilo que é mais virtuoso, mais nobre. É ver de
maneira perfeita uma pessoa imperfeita. É buscar o equilíbrio, tomar cuidado
com a ansiedade, a angústia, a incompreensão e as cobranças. É ter coragem
de também sofrer.
Amar é
tudo isso e um pouco mais. Ação que não se descreve, mas que se pratica.
Coisas que sabíamos fazer quando adolescentes, aos quinze anos, quando
éramos mais intrépidos, menos racionais e, por isso, capazes de sermos mais
felizes.
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