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A meta
Você decide ir ao cinema. Sai de casa e quando
percebe, imerso em seus pensamentos, está fazendo o caminho convencional
para ir ao trabalho – e que coincidentemente é diametralmente oposto. Depois
de enfrentar um belo trânsito, acerta o passo e chega ao shopping. Vasculha
os três pisos para obter uma vaga no estacionamento. Logo mais, encontra uma
agradável fila para comprar os ingressos. Na boca do caixa descobre que a
sessão está esgotada. Outra, só duas horas e quinze minutos depois.
Impossível? Improvável? Com você não? Pense bem antes de responder. Se você
ainda não passou pelo ciclo completo descrito acima, uma boa parte dele já
lhe visitou num final de semana destes. O mal é o mesmo que afeta
profissionais e empresas no mundo corporativo: a ausência de metas
definidas. |
Tom
Coelho, com graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela
ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no
Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário, consultor, professor universitário,
escritor e palestrante.
Diretor da Infinity Consulting e Membro Executivo do NJE/Fiesp.
E-mail
tomcoelho@tomcoelho.com.br
Visite:
www.tomcoelho.com.br |
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"A fórmula da minha felicidade: um
sim, um não, uma linha reta, um objetivo.”
(Friedrich Nietzsche)
Você decide ir ao cinema.
Sai de casa e quando percebe, imerso em seus pensamentos, está fazendo o
caminho convencional para ir ao trabalho – e que coincidentemente é
diametralmente oposto. Depois de enfrentar um belo trânsito, acerta o passo
e chega ao shopping. Vasculha os três pisos para obter uma vaga no
estacionamento. Logo mais, encontra uma agradável fila para comprar os
ingressos. Na boca do caixa descobre que a sessão está esgotada. Outra, só
duas horas e quinze minutos depois.
Impossível? Improvável?
Com você não? Pense bem antes de responder. Se você ainda não passou pelo
ciclo completo descrito acima, uma boa parte dele já lhe visitou num final
de semana destes. O mal é o mesmo que afeta profissionais e empresas no
mundo corporativo: a ausência de metas definidas.
Cinco
Passos para uma Meta
Vamos partir de um
pressuposto. Você sabe o que quer, para onde deseja ir. Se está em uma
empresa que não lhe agrada, buscará outra. Se está disponível, sabe qual o
perfil da vaga que lhe interessa. Se está satisfeito em sua posição atual,
almeja alcançar um cargo mais elevado.
Uma meta, qualquer que
seja ela, só pode ser assim conceituada quando traçada segundo cinco
variáveis. A primeira delas é a especificidade. Seu objetivo
deve ser muito bem definido. Assim, não adianta declamar aos quatro cantos
do mundo “Quero trabalhar na multinacional ABC Ltda.”. Desculpe-me a
franqueza, mas acho que você não será contratado a menos que pense “Vou
trabalhar como Gerente Comercial, na Divisão Alfa, da companhia ABC Ltda.,
atuando na coordenação e desenvolvimento de equipes de vendas para a Região
Sul”. Quanto mais específica for a definição de seu propósito, mais
direcionado estará seu caminho.
A segunda variável é a
mensurabilidade. Sua meta deve ser quantificável, tornando-se
objetiva, palpável. Em nosso exemplo anterior, você teria que definir, por
exemplo, a faixa de remuneração desejada. Uma outra situação bem ilustrativa
desta variável é a aquisição de bens materiais. “Pretendo comprar um carro”,
é um desejo. “Vou comprar um veículo da marca XYZ, modelo Beta, com motor
2.0, dotado dos seguintes opcionais (relacioná-los) com valor estimado em
R$30.000,00”, é uma quase-meta.
A próxima variável é a
exeqüibilidade. Uma meta tem que ser alcançável, possível,
viável. Voltando ao exemplo inicial, o objetivo de integrar o quadro da ABC
Ltda. como Gerente Comercial não será alcançável se você tiver uma formação
acadêmica deficiente, experiência profissional incompatível com o perfil do
cargo e dificuldades de relacionamento interpessoal.
Chegamos à
relevância. A meta tem que ser importante, significativa,
desafiadora. Você decide como meta anual elevar o faturamento de seu
departamento em 5% acima da inflação. Porém, seu mercado de atuação está
aquecido e este foi o índice definido – e atingido – nos últimos dois anos.
Logo, é preciso ousadia, coragem, para determinar um percentual superior a
este, capaz de motivar a equipe em busca do resultado. Lembre-se de que o
bom não é bom onde o ótimo é esperado.
Finalmente, o aspecto mais
negligenciado: o tempo. Muitas metas são bem definidas,
mensuráveis, possíveis e importantes, mas não estão definidas num horizonte
de tempo. Aquela oportunidade de negócio tem que ser concretizada até uma
data limite. Aquela reunião tem que ocorrer entre 14h00 e 16h00. Aquele
filme no cinema tem início às 21h30 e sairá de cartaz na sexta-feira
próxima. Procrastinar, nome feio dado à mania de adiar compromissos, cabe
como uma luva aqui e confere um golpe mortal a qualquer meta proposta.
Metas,
Realização e Resultados
No mundo das corporações
as coisas nem sempre funcionam assim. Observamos o reinado do “auto-engano”.
Metas são estabelecidas para justificar investimentos, agradar acionistas.
São fixados objetivos com base em expectativas irreais, prevendo crescimento
da ordem de dois dígitos independentemente de incertezas políticas e
econômicas. Poderiam até ser alcançáveis dentro de um espaço de tempo
adequadamente delimitado. Mas como não se pretende mexer nas variáveis tempo
e exeqüibilidade, alteram-se as variáveis mensurabilidade (daí os balanços
maquiados, ou melhor, a “contabilidade criativa”) e relevância (daí qualquer
meio ser justificável, inclusive rasgar a Carta de Valores, praticar
downsizing a qualquer custo, desviar o foco do negócio, promover fusões e
joint ventures desprovidas de fundamentação).
Por isso, estabeleça e
mantenha o foco. Parafraseando os Irmãos Pedro Lopes, “várias flechas não
garantem o acerto do alvo, e vários alvos confundem o arqueiro”. Esteja
preparado para os tombos – um obstáculo é apenas uma das etapas do seu
plano. Use a vaidade e o dinheiro como bons estímulos, mas jamais como
objetivos. Redija suas metas de forma nítida, cuidando para que elas sejam
específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais. Dê-lhes todo
seu esforço e imaginação.
E, finalmente, lembrando
Richard Carlson, “pense no que você tem, em vez do que gostaria de ter. A
felicidade não pode ser atingida quando estamos o tempo todo desejando novas
metas. Quando você focaliza não o que se deseja, mas o que tem, termina
obtendo mais do que gostaria”.
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