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Agenda de 10 segundos
A palavra é: rotina. Assim vivemos e
morremos, dia após dia, percorrendo os mesmos caminhos, mecanicamente. Assim
tornamos nossas carreiras desestimulantes, nossos relacionamentos insípidos.
Desencanto, alienação e desespero. O prazer e a alegria são raros. E
voláteis. Somos completamente infelizes em nossa infelicidade e brevemente
felizes em nossa felicidade. E estamos sempre aguardando o dia seguinte,
quando tudo o que era para ter sido e que não foi acontecerá.
Ouço músicas que gostaria de ter ritmado, leio textos que gostaria de ter
escrito, vejo produtos que gostaria de ter fabricado e conheço idéias que
gostaria de ter tido. Então percebo que tudo aquilo foi criado por pessoas
como eu, dotadas de angústias e limitações, certamente não as mesmas, pois
com origem, intensidade e amplitude diferentes. Pessoas que se superaram,
talvez não o tempo todo, talvez por apenas uma fração do tempo
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Tom
Coelho, com graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela
ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no
Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário, consultor, professor universitário,
escritor e palestrante.
Diretor da Infinity Consulting e Membro Executivo do NJE/Fiesp.
E-mail
tomcoelho@tomcoelho.com.br
Visite:
www.tomcoelho.com.br |
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"Se não agora, quando?”
(Hillel)
O despertador toca e você
cogita seriamente ignorá-lo. Mas levanta-se, toma banho, escova os dentes,
veste-se e serve-se de um rápido café da manhã. Talvez apenas café.
No caminho para o
trabalho, seja de carro ou de ônibus, o trânsito enseja sensações que
lembram “O Grito”, de Edward Munch. Parece que todos resolveram lançar-se às
ruas no mesmo instante!
Talvez você avance um
semáforo vermelho, talvez invada a faixa de pedestres. Talvez seja multado,
talvez não. É possível que dê ou receba uma “fechada” durante uma manobra
para mudança de pista que, embora arriscada, não reduzirá em nada o tempo de
deslocamento. Talvez você seja alvo ou autor de xingamentos. É provável que
chegue ao destino com atraso.
No trabalho, você
cumprimenta laconicamente seus colegas. Muitos papéis aguardam atenção na
caixa de entrada, que será esvaziada e preenchida seguidas vezes no decorrer
do dia. E que terminará novamente repleta de compromissos. Vários
telefonemas para dar, receber e retornar. Muitos e-mails para ler, responder
e ignorar.
Seu superior solicita
urgência urgentíssima num projeto engavetado há meses. Algum cliente
apresenta-lhe uma reclamação qualquer. Você dispara contra seus
subordinados.
O almoço ocorre fora de
horário, no mesmo restaurante e com o mesmo sabor já industrializado em seu
paladar. Talvez você fume um cigarro, talvez prefira uma bala de hortelã.
Talvez os dois.
E assim transcorre o dia,
até o momento de retornar para casa, lembrando-se de Munch, uma vez mais,
durante o trajeto. Talvez você vá até uma academia fazer ginástica, talvez
vá ao conservatório praticar um instrumento, talvez vá ao shopping olhar
vitrinas. Ou talvez se contente com o noticiário, a novela e o reality
show. Até que o despertador toque novamente, no dia seguinte...
A palavra é: rotina. Assim
vivemos e morremos, dia após dia, percorrendo os mesmos caminhos,
mecanicamente. Assim tornamos nossas carreiras desestimulantes, nossos
relacionamentos insípidos. Desencanto, alienação e desespero. O prazer e a
alegria são raros. E voláteis. Somos completamente infelizes em nossa
infelicidade e brevemente felizes em nossa felicidade. E estamos sempre
aguardando o dia seguinte, quando tudo o que era para ter sido e que não foi
acontecerá.
Ouço músicas que gostaria
de ter ritmado, leio textos que gostaria de ter escrito, vejo produtos que
gostaria de ter fabricado e conheço idéias que gostaria de ter tido. Então
percebo que tudo aquilo foi criado por pessoas como eu, dotadas de angústias
e limitações, certamente não as mesmas, pois com origem, intensidade e
amplitude diferentes. Pessoas que se superaram, talvez não o tempo todo,
talvez por apenas uma fração do tempo.
Já falei muito sobre
futuro. Sobre a importância de termos uma visão de futuro, sobre a
capacidade de sonhar, a habilidade de traçar metas e a disciplina para
concretizá-las. E não recuo em meus propósitos, porque são princípios. Mas
inventei para mim uma nova agenda. Ela não se compra em papelaria, porque
nela não se escreve. Não está disponível em versão eletrônica, porque nela
não se digita. Seu custo é nulo, pois não demanda investimento, não exige
que se tenha um palm, uma caneta, nem sequer alfabetização. É uma
agenda da mente. É uma “Agenda de 10 Segundos”.
A cada amanhecer, tenho a
certeza de que aquele é o momento a ser vivido. Em que pesem os planos
voltados para o futuro, com os pés firmes no chão e os olhos no firmamento
do céu, a vida está acontecendo aqui e agora. Por isso, minha agenda não
pode contemplar mais do que os próximos 10 segundos. Talvez breves, talvez
distantes, talvez intermináveis e, talvez, inatingíveis 10 segundos.
Esta consciência tem me
permitido agradecer a cada despertar em vez de hesitar em me levantar. Tem
me sugerido dar passagem a alguém no trânsito ao invés de brigar por
insignificantes três metros. Tem me lembrado de dizer “bom dia” aos que me
cercam. Tem me incitado a procurar novos restaurantes e novos sabores
durante o almoço. Tem me proporcionado o poder de resignação e de
resiliência diante das inúmeras adversidades que se sucedem. Nem sempre tem
sido assim. Mas assim tem sido sempre que possível.
Fundamentalmente, a Agenda
de 10 Segundos tem me ensinado a agradecer, a elogiar, a perdoar, a me
desculpar, a sorrir e a amar no momento em que as coisas se dão. E isso
possibilita amizades fortuitas que se tornam perenes, negócios de ocasião
que se tornam recorrentes e paixões de uma única noite que se tornam amores
de toda uma vida.
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