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É comum a gente ouvir que
o brasileiro é ótimo de iniciativa e péssimo de acabativa. Parece que há um
fundo de verdade nessa conversa. Esteiras que funcionam como cabide; pares
de tênis usados apenas três vezes para as “caminhadas todos os dias”; cursos
de inglês abandonados na metade do segundo módulo; dietas interrompidas na
primeira tentação; mestrados com matrículas trancadas; consultas médicas
procrastinadas; casos de amor mal acabados – aliás ela não sabe até hoje se
acabou ou não acabou; são experiências muito comuns aos mortais como eu e
você.
Os chineses dizem que uma longa viagem
começa com o primeiro passo. Mas o primeiro é sempre o mais fácil. O
problema está em continuar dando os outros milhares de passos que nos
levarão ao destino desejado. Botar o pé na estrada é uma delícia – quer
coisa mais gostosa do que pegar a estrada no final de semana prolongado? O
negócio é seguir viagem com o mesmo entusiasmo, e sem dar uns tapas nas
crianças do banco de trás, ou sem perder a boa na fila do pedágio.
A razão porque as pessoas deixam as coisas
pela metade é que funcionam com o paradigma errado de sucesso e felicidade.
Acreditam que a felicidade é um lugar onde se chega: os sete quilos a menos,
a fluência na língua, o acréscimo da pós no currículo, a chegada na casa da
praia. Errado. A felicidade não é um lugar onde se chega, é um jeito como se
vai. A felicidade não está na noite do casamento, mas na convivência
prazerosa. Também não está na formatura, mas na experiência do curso. (Não
está na inauguração do prédio, mas no ambiente que se constrói todos os
dias).
Uma coisa é certa: quem não é capaz de
extrair o melhor da jornada, não consegue manter o pé na mesma estrada. O
primeiro passo é importante. Mas o segredo do sucesso e da felicidade está
nos outros passos depois dele.
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