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Primeiro o ovo ou primeiro a galinha?
Quem veio
primeiro? Você estava lá? Quem sou eu para tentar acabar com esta questão?
Que no geral fique como sempre esteve... sem resposta.
Mas há casos particulares onde a questão pode até ser respondida. Na hora de
fazer uma omelete ou um bolo, eu deixo a galinha de lado e pego o ovo. Mas
na hora de falar de empreendedorismo, na hora de falar de um novo negócio,
sou partidário de uma resposta única: na hora H, marque “galinha”.
Eu me explico. |
Carlos Sider é
engenheiro químico e administrador de empresas. Tem atuado por muitos anos
como executivo contratado por empresas como Bunge, Rhodia, Tintas Coral,
Eternit, no Brasil e no exterior, e nos últimos 9 anos como principal
executivo. Atualmente é o CEO da Konzept para a América Latina. |
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Quem veio primeiro?
Você estava lá? Quem sou eu para tentar acabar com esta questão? Que no
geral fique como sempre esteve... sem resposta.
Mas há casos particulares onde a questão pode até ser respondida. Na hora de
fazer uma omelete ou um bolo, eu deixo a galinha de lado e pego o ovo. Mas
na hora de falar de empreendedorismo, na hora de falar de um novo negócio,
sou partidário de uma resposta única: na hora H, marque “galinha”.
Eu me
explico. E para isso evoco minha curta experiência como criador de galinhas.
Assim que me mudei para uma área mais rural onde moro hoje, resolví cria-las
– poedeiras. E aprendí algumas coisas, até desistir de faze-lo, consciente
que meu lugar é mesmo num escritório, ainda que usufruindo de uma casa no
meio do mato. Pelo menos me valeram as lições.
Mas vamos falar de negócios, lembrando sempre das galinhas e seus ovos.
Porque, teoricamente, pode-se começar um plantel a partir de galinhas ou de
ovos. Mas entenda porque eu prefiro a galinha.
Não é qualquer ovo que vira galinha
Tem que estar fecundado (ou galado, como dizem os antigos). Nos negócios,
não basta ter só uma idéia. Ela tem que ser fecunda, produtiva, dar
resultado. Pegar uma idéia estéril e insistir nela é igual colocar ovo comum
na chocadeira: depois de um tempo cheira podre.
Ovo pode virar galinha, mas também pode virar
frango
50% de probabilidade. Você cuida do ovo
galado, espera pelo tempo de chocadeira, torce vendo quantos ovos vingam
(nem todos – é normal), vê os pintinhos na estufa e fica perguntando: qual é
menino, qual é menina? (Só para sua informação – não tem nada pendurado não.
Só existem uns caras, japoneses em sua maioria, que dizem que apertando sei
lá onde você descobre. Tem lá sua base científica. Eu bem que tentei e
acertei pouca coisa além dos velhos 50% da probabilidade. Enfim, só mesmo
fazendo um ultrassom).
Só que aí você se vê fazendo as contas. Quanto tempo vai demorar para
descobrir se esse pintinho é frango ou franga? E quanto de ração eles vão
comer até lá?
Negócios idem. Não é só porque uma certa idéia vingou que você poderá ver
sua empresa crescendo. Ela pode ser um frango na granja: um chupim de custos
que traz muito pouco em troca.
Do ovo até a galinha demora um tempo
Arredondando, algo como um mês do ovo ao pintinho, e mais uns 5 meses para
que a franguinha vire galinha e comece a botar (e a se entender com o galo,
obviamente). Meio ano. O tempo em que uma galinha adulta e bem alimentada
teria posto perto de 90 ovos.
Nos negócios? Vale a importância do grupo das galinhas que tem que existir
para pagar as contas, e para pagar o investimento nas novas franguinhas.
Caso elas não existam, haja dinheiro. E haja espera.
Não esqueça dos galos
Mesmo
que a galinhada não seja um exemplo de monogamia, uma galo só dá conta de 20
a 30 galinhas, dependendo da raça (claro que pensando em aumento do
plantel). Mesmo que os frangos possam ser chamados de “meros custos”, alguns
deles tem lá sua importância.
Negócios não funcionam sem “galos” para gerenciar seu harém. E cada galo tem
seus limites. Inclusive você, caso seja o dono do galinheiro.
Uma galinha doente pode matar todo o plantel
É isso mesmo. Pode soar meio nazista, mas galinha doente tem que ser posta
de lado, primeiro para tratamento e, caso não resolva, sacrificada. Do
contrário, gasta os recursos do plantel, e pode acabar matando todo ele.
Nos negócios há linhas de produto que podem estar doentes. Não geram o
necessário, mas comem recursos. E podem matar o resto. Portanto, cuidado.
Concluindo...
Negócios tem a ver mais com galinhas do que você imagina. Mais do que estas
dicas. Mesmo porque criar galinhas poedeiras também é um bom negócio, para
quem entende e sabe transformar galinhas em ovos, e ovos em dinheiro.
Empreender é isso mesmo. Colher os frutos e resultados. Frutos gerados por
uma galinha sadia, consistente, que produz seus ovos, que por sua vez geram
seus proventos, e novas galinhas.
E é por isso que eu digo que, em um novo negócio, mais importante que os
ovos colhidos é a galinha que os pôs. Porque galinha que está botando amanhã
dá mais. Ovo colhido hoje ainda é uma interrogação.
Existem muitos empresários que acabam vendo suas empresas morrerem
cedo, por privilegiarem demais aos ovos (que são, afinal, os frutos finais)
do que a galinha que os produz. Planejaram mal os investimentos requeridos
na hora de montar o galinheiro, e acabaram tendo que comer os ovos.
Prefiro pensar que empreender é a arte de transformar meros custos em
investimentos. E isso só ocorre quando chegam os frutos. Antes eles são o
que são: custos.
E existem dois tipos. Os custos de fazer negócio (impostos diretos,
comissões, matérias primas, compras, etc), que podem até ser zerados quando
não há venda. E os custos de estar no negócio: fábrica, pessoal,
aluguéis, estrutura geral – haja ou não haja venda, eles estão lá, comendo,
gastando para viver. Mas são a galinha. Sem ela nada de ovos. Pelo menos a
médio prazo. Mas isso é assunto para outro artigo.
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