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Os três V´s que fazem chover
Como é que
se faz chover? Ora, pergunte ao marceneiro que faz um armário perfeito a um
preço competitivo. Fale com quem vende mais por menos, e segue tendo lucro.
Fale com quem criou do nada um produto ou serviço que agora todo mundo quer.
Siga estes caras. Imite-os. Aprenda da sua arte. Você verá que eles até usam
os 4 ou 7 P´s, essa ou outra ferramenta, mesmo que não estejam acostumados
a, digamos, “ligar o nome à pessoa”.
Todo novo negócio requer esforço, estômago, trabalho, e arte. A arte de
saber o que fazer e o que não; para quem vender e para quem não; a hora de
acelerar e a de frear. A arte de achar os 3 V´s de um novo negócio |
Carlos Sider é
engenheiro químico e administrador de empresas. Tem atuado por muitos anos
como executivo contratado por empresas como Bunge, Rhodia, Tintas Coral,
Eternit, no Brasil e no exterior, e nos últimos 9 anos como principal
executivo. Atualmente é o CEO da Konzept para a América Latina. |
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Anos atrás eu era um
engenheiro típico. Formado em boa faculdade e trabalhando na área técnica de
uma indústria.
Logo cedo ouví o que dizia a correnteza da carreira dos engenheiros: aprenda
algo de administração e marketing, caso contrário você fica a vida inteira
dentro de uma fábrica. E então, obediente e comportado, fui fazer uma
pós-graduação em Administração & Marketing. Naquele tempo era o nome que se
dava para os MBA’s de hoje: especialização para graduados.
Fui
apresentado a várias coisas interessantes que guardo e uso até hoje. Entre
elas o tema do qual quero tratar aqui: um tal de “mix de marketing”, ou
composto de marketing, proposto originalmente por Jerome McCarthy, lá pelos
anos 70. Falava dos quatro P’s do marketing (baseados nas letras iniciais
das palavras em inglês):
-
Produto (product)
- Preço (price)
- Praça, ou Distribuição Física (place)
- Promoção (promotion)
Anos mais tarde, Philip Kotler, que já mencionava os quatro P’s em todos os
seus livros e escritos, acabou por propor mais 3 P’s:
-
Pessoas (people)
- Processos (processes)
- Evidências físicas (physical evidence)
Em resumo, os hoje chamados “Sete P’s do Marketing” mostram o equilíbrio que
qualquer negócio deve buscar entre todos estes P’s. Mercadologicamente
falando nada mais correto, nada mais pertinente. Não basta ser muito bom em
um ou dois deles e sofrível nos demais. Melhor ter equilíbrio. Quando se
fala do lançamento de uma nova linha de produtos no mercado, de um novo
negócio, bom te-los como guia no planejamento de marketing.
Mas
venhamos agora mais para perto da hora em que se começa um novo
empreedimento, um novo negócio, uma nova empresa. Quanto vale conhecer e
aplicar estes 7 P’s, bem como um vasto número de outras “ferramentas” de
administração e marketing?
Quanto vale?
Minha resposta é: pode valer muito, como também pode valer nada.
Permita-me um paralelo aqui. Façamos de conta que eu e você estejamos atrás
de um bom marceneiro que construa um certo número de armários e mobília para
o nosso escritório. Buscamos indicações, procuramos na lista telefônica,
separamos uns dois ou três e os chamamos para um orçamento.
Quais os fatores que utilizamos para avalia-los, além dos quantificáveis
como preço e prazo? Por certo um deles é a habilidade. Outro é a capacidade
de entender o que queremos e a versatilidade para executar o serviço.
E
como avaliamos isso? Ora, queremos ver algum trabalho realizado, seja
através de foto, seja através de algum show-room, seja o que for. Quando
falamos em habilidade, pouco nos importa saber se o fulano é um ás no
manuseio do martelo, ou se faz maravilhas com uma serra circular. Isso não
passa de obrigação, pre-requisito, lição de casa de um marceneiro.
Habilidade para nós está ligada ao resultado final.
E
então voltemos aos sete ou quatro P´s do marketing. Você conhece a
ferramenta e sabe usa-la? Parabéns. Manuseia também o fluxo de caixa,
sistemas de custeio, técnicas de negociação, algo sobre legislação fiscal e
trabalhista? Parabéns de novo. Você aprendeu a usar algumas das ferramentas.
Quantas mais você tenha e saiba utilizar, melhor. Mas isso não garante que
você saiba fazer um bom armário.
Uma
das razões pelas quais assistimos milhares de pequenas empresas serem
abertas e fechadas antes dos primeiros cinco anos de vida é esta.
Profissionais hábeis em suas ferramentas se lançando na arte de empreender.
Na arte que pede mais do que um bom manuseio de ferramentas. Na arte que
pede um artista, não apenas um técnico.
Empreender, como se dizia tempos atrás, é a arte de transformar porco em
salsicha, e esta na prateleira do mercado. Não é saber projetar a máquina
que faz isso. Não é só saber comprar o porco, nem apenas saber vender ao
mercado. É a arte de fazer do bom uso de todas as ferramentas requeridas um
conjunto harmonioso.
Já aprendí e continuo aprendendo muito com alguns colegas que atuam na
triagem de novas empresas e negócios que pleiteiam capital para
investimento, seja junto a bancos, seja junto a angel investors. Um
deles certa vez me disse que não há nada mais irritante e desqualificador do
que encontrar um empresário-profissional que não para de falar que sabe
usar as ferramentas, que tem todas elas a sua disposição. Sua frase
preferida é: “quero ver se o cara já fez ou sabe fazer chover; o resto é
conversa mole”
Como é que se faz chover? Ora, pergunte ao marceneiro que faz um armário
perfeito a um preço competitivo. Fale com quem vende mais por menos, e segue
tendo lucro. Fale com quem criou do nada um produto ou serviço que agora
todo mundo quer. Siga estes caras. Imite-os. Aprenda da sua arte. Você verá
que eles até usam os 4 ou 7 P´s, essa ou outra ferramenta, mesmo que não
estejam acostumados a, digamos, “ligar o nome à pessoa”.
Todo novo negócio requer esforço, estômago, trabalho, e arte. A arte de
saber o que fazer e o que não; para quem vender e para quem não; a hora de
acelerar e a de frear. A arte de achar os 3 V´s de um novo negócio.
Os 3 V´s não são uma teoria, nem tampouco uma ferramenta. Conhecí
a expressão (muito bem pensada) em um artigo escrito por Marília Rocca,
Diretora do Instituto Empreender-Endeavor, para a revista Exame.
Quais são?
Vendas, vendas e... vendas.
Se há venda, e obviamente venda com lucro, é porque seu negócio tem feito
chover..
Se há venda a máquina que “transforma porco em salsicha” funciona, e
funciona bem.
Se há venda há produto para ser vendido, pois chegou ao conhecimento do
cliente, a preço competitivo, no lugar em que o cliente está. Há processos e
gente fazendo acontecer. Em suma, os 7 Ps estão presentes, planejados ou
não.
Se há venda, e venda após a venda, há clientes, há mercado.
Se continua havendo venda, há futuro, há perspectiva de crescimento, há
negócio adiante.
Se há venda, da boa, há geração de resultado, de caixa, de recurso.
Se há venda, mesmo que não se entenda os “comos” e os “porquês”, o fato é
que existe gente comprando o que a empresa faz. Mesmo com alguns teóricos (e
concorrentes ) dizendo que é impossível.
Se há venda, há um empreendedor com arte por trás dela. Há alguém, sabe-se
lá como, fazendo chover.
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