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Quem voa também pode cair. A arte está em saber aterrisar!
Há quem
diga que abrir e/ou gerir um negócio nos dias de hoje é como decidir voar
sem saber se, quando e como vai dar para pousar. Mas isso, francamente, é
conversa de pessimista. Prefiro pensar em outro tipo de vôo.
Observe os pássaros. Gaste um tempo olhando para eles, sem grandes
preocupações. Se você achar uma mãe tentando ensinar os filhotes a voar,
melhor ainda.
Eu tenho o privilégio de morar meio afastado da cidade, em um condomínio de
pequenas chácaras. E todo santo dia acordo com a passarada cantando na minha
janela. De vez em quando, já que eles me acordam mesmo, gasto um tempo
curtindo todos eles. |
Carlos Sider é
engenheiro químico e administrador de empresas. Tem atuado por muitos anos
como executivo contratado por empresas como Bunge, Rhodia, Tintas Coral,
Eternit, no Brasil e no exterior, e nos últimos 9 anos como principal
executivo. Atualmente é o CEO da Konzept para a América Latina. |
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Já dizia Karajan: “Quem
voa também pode cair; a arte está em saber aterrisar”. Grande verdade,
ainda mais se você é ou pretende ser empresário.
Há quem diga que abrir e/ou gerir um negócio nos dias de hoje é como decidir
voar sem saber se, quando e como vai dar para pousar. Mas isso, francamente,
é conversa de pessimista. Prefiro pensar em outro tipo de vôo.
Observe os pássaros. Gaste um tempo olhando para eles, sem grandes
preocupações. Se você achar uma mãe tentando ensinar os filhotes a voar,
melhor ainda.
Eu tenho o privilégio de morar meio afastado da cidade, em um condomínio de
pequenas chácaras. E todo santo dia acordo com a passarada cantando na minha
janela. De vez em quando, já que eles me acordam mesmo, gasto um tempo
curtindo todos eles.
Algumas lições bastante sérias que andei aprendendo com eles:
Os grandes vôos são a soma de vôos mais curtos
Esqueça os jatos trans-oceânicos, intercontinentais, com autonomia para sei
lá quantas horas de vôo. Fique com o jeito antigo de voar, quando os aviões
tinham menor autonomia: vá fazendo um “pinga-pinga” entre aeroportos no meio
do caminho. Os pássaros fazem isso.
Filhotes quase que não voam; só dão uns pulos bem dados. Primeiro de um
galho até o chão, ou do chão para o chão mesmo, com uma aterrisagem nem
sempre confortável. Mas é assim que aprendem. Depois pulam de um galho para
outro. Depois aumentam a distância. No final das contas e de alguns trancos,
estão voando.
Na empresa, idem. O dia a dia é feito de pequenos vôos, principalmente em
tempos iniciais ou em tempos bicudos. Na incerteza de um vôo mais longo, sem
saber se o aeroporto de destino está aberto ou fechado, prefira um vôo
pinga-pinga.
O que define o tamanho do vôo é a experiência de quem voa
Pássaro velho voa mais longe e mais alto. Pássaro novo fica por perto do
ninho.
Na empresa, o tempo de janela dá a segurança que qualquer empresário
precisa para sair voando e saber se, quando e como vai pousar. Mesmo que
seja um vôo de prospecção, com muitas variáveis em aberto. Empresários
experientes sabem quando voar mais alto, quando voar mais baixo, quando
pousar. E a experiência minimiza muito os danos de um pouso de emergência.
Na dúvida, pegue a rabeira de alguém
Pássaro novo segue os mais velhos. Nem sempre, nem toda hora, mas até
aprender a voar sozinho, segue.
Há quem diga, com certa razão, que seguir os outros só nos leva até onde os
outros já foram ou vão. Verdade. Há momentos em que o seu caminho é só seu e
de mais ninguém. Mas na maioria das vezes, acredite na sua mulher: se você
não conhece o terreno, pare o carro e pergunte para quem conhece. Ou pegue a
rabeira dele.
Não voe sem comunicação
Você já notou como a passarada voa sempre fazendo uma barulheira infernal?
Piam o tempo todo. E isso vale para os que estão em vôo, e para os que estão
“pousados” em algum galho. Só ficam quietos quando estão todos pousados, já
recolhidos.
Na vida real da empresa, jamais voe sem um bom rádio (jornal, internet,
contato com outros empresários, sejam amigos, fornecedores ou clientes), sem
um plano de vôo competente e sério (voar sem um não é arrojo; é burrice).
Enfim, é como voar sem tirar os pés do chão. Você voa, mas está em bem
antenado com o que acontece no “chão do mercado”.
Voar nunca vai deixar de oferecer um certo risco
Por mais que se planeje, pode aparecer sempre um vento contrário. Pode
aparecer um predador. Podem surgir imprevistos. Estar pronto para eles é
bom, mas nem sempre é possível.
O risco faz parte da vida. Como os pássaros, fazemos parte de um certo
“ecossistema” empresarial. Nele sobrevivem os mais fortes e os lutadores.
Pássaro que prefere a segurança do chão acaba virando comida de outro bicho,
além de nunca sair do lugar.
É preciso vencer o medo de voar. É preciso conquistar o espaço. É preciso
empreender. É preciso “pegar a doença” de ter voado uma vez, e jamais querer
parar. É isso que faz a vida empresarial, mesmo com seus altos e baixos,
valer a pena. Pássaro que já aprendeu a voar jamais se contenta em ficar
parado no galho. Muito menos em gaiola.
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