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A diferença entre negócios e negócios
Não
estranhe, não. Todos tem o mesmo nome, e há muita gente que pensa que
negócio é igual a negócio. Mas não é, não. Há diferenças radicais. Quero lhe
convidar a analisar este elo extremamente importante do empreendorismo: a
qualidade do negócio. Até agora, nesta série sobre empreendedorismo, falamos
da postura do empreendedor, de sua capacitação, da forma correta de olhar
para o negócio, de saber se situar no tempo e no espaço mercadológico.
Coisas ligadas ao perfil da pessoa. Correto e necessário. Mas há horas que
só isso não resolve. Há certos negócios que “santo nenhum” dá jeito. O
negócio – o tipo do negócio – conta, e muito. |
Carlos Sider é
engenheiro químico e administrador de empresas. Tem atuado por muitos anos
como executivo contratado por empresas como Bunge, Rhodia, Tintas Coral,
Eternit, no Brasil e no exterior, e nos últimos 9 anos como principal
executivo. Atualmente é o CEO da Konzept para a América Latina. |
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Não estranhe, não.
Todos tem o mesmo nome, e há muita gente que pensa que negócio é igual a
negócio. Mas não é, não. Há diferenças radicais.
Quero lhe convidar a analisar este elo extremamente importante do
empreendorismo: a qualidade do negócio.
Até agora, nesta série sobre empreendedorismo, falamos da postura do
empreendedor, de sua capacitação, da forma correta de olhar para o negócio,
de saber se situar no tempo e no espaço mercadológico. Coisas ligadas ao
perfil da pessoa. Correto e necessário. Mas há horas que só isso não
resolve. Há certos negócios que “santo nenhum” dá jeito. O negócio – o tipo
do negócio – conta, e muito.
Há algumas coisas que vão nos ajudar a materializar, a
exemplificar o que estou dizendo.
1) o negócio no tempo e na história
Você se lembra quanto custavam os primeiros CD-players, logo quando saíram?
Algo como 500 Dólares! Hoje os mais simples são até dados como brinde em
certas lojas.
Você se lembra da febre das pontocom? Não faz tanto tempo assim...
Vá mais longe. Lembra-se do tempo em que o “sonho de consumo” das
secretárias eram as máquinas IBM com memória? Lembra-se do tempo em que
notebook era só chamado de laptop, era um troço grande e pesado e
tinha uma capacidade tão pequena que hoje não faz nem cócegas ao seu palm?
Bem já contava o velho diagrama BCG (de Boston Consulting Group) que
todo produto tem seu tempo de estrela (quando inova e chama atenção),
sucedido por um tempo de vaca-leiteira (quando depois de crescer se paga e
paga o desenvolvimento de novas estrelas), mas chega o dia em que vira um
mico sem tamanho: ninguém mais o compra, ninguém mais o quer.
Tenho um amigo que até hoje trabalha em uma empresa que faz formulários
contínuos. Como ele diz, ainda há muita coisa que depende deles, mas foi-se
o tempo em que isso dava ibope. Quando alguém lhe pergunta com o que ele
trabalha, ele diz “soluções de automação comercial”. Mencionar “formulário
contínuo” tem um som de século passado.
Outros exemplos? Os nomes Remington, Gillette, Burroughs,
Akai... lhe lembram do que?
Enfim... que negócio você pretende empreender? Cuidado! Há muito mico à
venda no mercado. Negócios que já deram o que tinham de dar (se é que
deram), e alguns espertos se especializam em achar interessados (leia-se,
ingênuos) na compra do casco.
Isso nos leva ao segundo ponto.
2) os 3 tipos de negócio

Padarias, confeitarias, borracharias, oficinas mecânicas, farmácias,
lanchonetes, gráficas, etc, etc. No campo dos serviços, vamos aos
escritórios São coisas fáceis de se abrir (ou até de comprar prontas). Não
requerem grandes investimentos, mas também jamais prometerão retornos muito
animadores. São os negócios comuns.
Pulemos, por questões didáticas, para o outro extremo: o dos negócios
inovadores. Aqueles que acabam de lançar um produto que ninguém mais tem
(por enquanto). Aqueles que oferecem um serviço que uns poucos “gênios”
conseguem desenvolver (mais uma vez, por enquanto). Ah... importante,
aqueles negócios que tem gente que compra o que eles oferecem (de nada vale
inovar em algo que ninguém quer). Estes negócios, quando dão certo, tendem a
‘resolver a vida’ de seus empreendedores, senão enriquecendo-os, por certo
colocando-os em posição confortável e de respeito no mundo dos negócios.
E então voltamos ao universo dos negócios medianos. São formados
pelos inovadores de ontem, que hoje vendem suas franquias, que expandem suas
redes, que aproveitam a fase “vaca-leiteira” de seus produtos para financiar
o lançamento de outros novos produtos inovadores. São também negócios
medianos os negócios comuns onde o empreendedor deu um toque especial,
oferecendo um diferencial, seja criando uma grife para sua padaria, seja se
especializando em contabilidade e assessoria a ONG´s, ou seja lá o que for.
3) a dose de inovação
Não é só nos negócios inovadores que ela é vital.
Pegue um negócio comum + inovação pode dar um negócio mediano. Negócio
mediano + tempo dedicado a novos projetos, novas frentes, novas idéias = um
potencial negócio inovador.
E mesmo os negócios inovadores precisam de contínua inovação para que não
entrem em declínio. Os produtos podem declinar, mas o negócio não precisa.
Basta que os produtos velhinhos, respeitado o seu ciclo natural, sejam
substituídos pelos novos produtos, inovadores, afinados com o que o mercado
espera.
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