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As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos!
Os melhores negócios também! Você já parou e pensou o quanto de verdade existe nesta frase de título, que aliás é de Machado de Assis? Pura verdade, ainda mais hoje em dia.
Retração nos negócios tem sido a regra, pelo menos na maioria dos mercados. O interessante é que os mercados não encolhem. A mesma população mundial que cresce uma barbaridade a cada segundo aumenta o volume de consumo mas não aumenta o dinheiro em circulação. Ao contrário, também é a responsável pelo crescimento da concorrência. Há cada vez mais gente para se enfiar no mesmo espaço de sempre...

Carlos Sider é engenheiro químico e administrador de empresas. Tem atuado por muitos anos como executivo contratado por empresas como Bunge, Rhodia, Tintas Coral, Eternit, no Brasil e no exterior, e nos últimos 9 anos como principal executivo. Atualmente é o CEO da Konzept para a América Latina.


Os melhores negócios também! Você já parou e pensou o quanto de verdade existe nesta frase de título, que aliás é de Machado de Assis? Pura verdade, ainda mais hoje em dia.

Retração nos negócios tem sido a regra, pelo menos na maioria dos mercados. O interessante é que os mercados não encolhem. A mesma população mundial que cresce uma barbaridade a cada segundo aumenta o volume de consumo mas não aumenta o dinheiro em circulação. Ao contrário, também é a responsável pelo crescimento da concorrência. Há cada vez mais gente para se enfiar no mesmo espaço de sempre. Resultado? Vamos nos apertando, fazer o que?

O volume de dinheiro que circula pelos mercados é mais ou menos constante nos curtos prazos da nossa percepção. Já dizem os economistas. Dinheiro não se multiplica tão fácil. Ele migra de um lado para outro, preferindo os lugares onde ele é melhor tratado. É o que faz que alguns investidores que antes preferiam nossas terras tupiniquins estejam hoje encantados com o que existe atrás da muralha da China.

Fim das contas? Mais gente no mesmo espaço, e com menos dinheiro.

Diante de um quadro assim, digamos, desanimador, surgem algumas castas de empresários:

1) a turma do “isso passa” – acostumada a viver num Brasil de políticas econômicas vai-e-vem, de planos econômicos avassaladores, essa turma até que se defende e tem seu valor quanto não sai dizendo que vem tempestade ao sinal de qualquer ventinho. Mas o “isso passa” tem demorado, não? E pior, se pensarmos nos porquês do mercado estar como está, pode ser que essa turma morra esperando;

2) a turma do “bye, bye, Brazil” – turma difícil de ser visualizada, pois já mudou para os Estados Unidos, para a Austrália, para o Canadá, para sei lá onde. Engenheiros, médicos, dentistas, comerciantes e industriais que hoje entregam pizza, consertam telhados, dirigem vans nos aeroportos ou levam cachorros pra passear;

3) a turma do “oh vida, oh azar” – fazem da reclamação a sua forma de vida. Metem o pau no governo (até que com razão certas vezes), mas ficam só nisso. Fazem da atitude passiva e pessimista sua bandeira;

4) a turma do “acho que agora vai” – verdadeiros garimpeiros de qualquer coisa que possa ser uma boa notícia econômica. Nas rodinhas deles só se ouve que “parece que agora o governo vai liberar isso, vai taxar aquilo, vai incentivar aquilo outro”, num otimismo cego (e um tanto burro) que só espera o tempo melhorar. Na verdade, nada mais é do que uma passividade esperançosa;

5) e finalmente, a turma do “quer saber, vou à luta” – cansaram de esperar do governo algum milagre econômico, cansaram de esperar do patrão um aumento. Estão dispostos a comprar uma boa briga que lhes prometa virar o jogo até o apito final.

É essa última turma que merece mais atenção. Das outras turmas estamos cansados de ouvir falar. Mas essa última é a turma dos sonhadores, dos loucos, dos amantes do risco.

É também a turma que congrega os fracassados. Afinal, nem todos os que tentam conseguem chegar lá. Alguns chegam perto, outros ficam na beira do caminho, e outros simplesmente quebram a cara.

É a turma dos incompreendidos. Daqueles que tem a cara-de-pau de enfrentar as outras turmas. Todo incompreendido da turma do “vou á luta” tem um primo, um cunhado, um parente que vive lhe sugerindo outro caminho. “Olha, vem aqui pros States que eu te arrumo um negócio legal”. “Primo, cuidado, o governo vai lhe ferrar com os impostos... melhor procurar emprego”. Ou então “é, falei para minha irmã não se casar com um sonhador... estão sempre às voltas com seus negócios novos”.

Acima de tudo, é a turma dos atrevidos. Dos que tentam, mesmo sem saber como podem chegar lá. Dos atrevidos que tem a honrosa coragem de acreditar que ao longo do caminho os problemas pderão ser resolvidos.

Nossa mídia empresarial é especializada em cultuar os casos dos atrevidos que deram certo. Os mesmos Abílios e Constantinos de hoje já foram vistos como sonhadores, malucos, teimosos e insistentes. O sucesso agora os permite chamar de visionários, perseverantes, exemplos que deram a volta por cima durante um tempo em que outros, nos mesmos mercados, no mesmo ambiente, quebraram, fizeram feio, se estreparam. Não é curioso que, em S.Paulo, para pegar um daqueles aviões do Constantino você vá ao aeroporto que fica numa avenida cujo nome é do fundador da outra empresa, que agora precisa de ajuda para não quebrar? É, os tempos mudam...

Como alertava Machado de Assis, mulheres há, mas são poucas as melhores. E estas ficam com os que se atrevem a cortejá-las.

Negócios há. Poucos são os melhores. Atreva-se a eles!

 




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