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Publicidade ou
Propaganda?
É tão simples!
Publicidade é mensagem de vendas. Propaganda é mensagem política, ideológica
ou religiosa. Mas não parece tão simples, para a imensa maioria dos brasileiros e, em
especial, dos publicitários. Até o momento em que o profissional da
Publicidade vai trabalhar numa multinacional e tem que mandar um relatório
para a matriz – seja ela onde for. Se ele escrever que “os nossos
investimentos em Propaganda...”, ou “o nosso planejamento de Propaganda”...
num e-mail, “umzinho” só, vai perder o emprego, por justa causa. Afinal,
vocês acham que a matriz vai entender a nossa confusa definição do que é o
quê?
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Cláudia
Romariz Lino é Jornalista, Mestre em Comunicação Social e Especialista
em Administração de Marketing e Propaganda. É também Diretora da CR
Comunicação Empresarial, empresa voltada ao desenvolvimento de ações e
estratégias de comunicação. |
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Um artigo escrito
pelo publicitário João José Werzbitzki traz informações interessantes sobre
a distinção e as controvérsias geradas e discutidas no campo da publicidade
e da propaganda. No Mundo todo, segundo ele, o termo Propaganda é utilizado
para definir a criação e a difusão de mensagem ideológicas, políticas ou
religiosas. “A palavra, aliás, se origina na Idade Média, na Doutrina de
Propagação da Fé, da Igreja Católica, mas ganhou mais força, no Século XX,
com a propagação das idéias nazistas, fascistas e comunistas, entre outras,
assim como com o desenvolvimento da comunicação político-eleitoral,
especialmente nos últimos 40 anos”, afirma.
No
Brasil, de acordo com ele, o termo Propaganda é utilizado como sinônimo de
Publicidade, o que considera um equívoco imperdoável, para os publicitários
e profissionais de Marketing de qualquer outro país do planeta. E continua:
“Nos
Estados Unidos e Reino Unido, assim como em outros países de língua inglesa,
Publicidade é Advertising” – palavra que deriva de “advert”, que
significa advertência, e é como eram chamados os anúncios do Século XIX, que
advertiam sobre a fuga de escravos negros e ofereciam recompensas pelas
capturas.
Funcionava tanto, que virou título da profissão de anunciar.
No
Brasil, na época da escravidão, eram os reclames que cumpriam a mesma função
– tanto que anúncios foram chamados de reclames até a década de 50, no
século passado - e ainda são assim chamados em Portugal e em outros países
onde se fala o Português. Em Portugal, destaco, é Publicidade – que é
diferente de Propaganda – lá inclusive usam o verbo “publicitar”.
Em
países nórdicos, como a Suécia, Dinamarca, Finlândia e mesmo na Rússia ou na
Alemanha, Publicidade é Reklama. Nos países de idioma espanhol, é
Publicidad. Na Itália é Publicitá, na França é Publicité.
Não é Propaganda – nem no Japão ou na China!
Mas
qual o motivo que levou os brasileiros a confundirem as duas palavras, como
se fossem a mesma coisa? Por que será que mesmo os publicitários dizem que
trabalham com propaganda? Eles não dizem que são propagandistas... Porque
será que nós, brasileiros, confundimos os dois termos?
Na
época da II Guerra Mundial, quando a propaganda pró-Estados Unidos e Aliados
era muito forte, muitas agências de publicidade americanas importantes
vieram para o Brasil. Convenhamos, falar Advertising não é fácil. E
os esforços de Propaganda eram tão eficientes, que a palavra acabou sendo
incorporada no dia-a-dia de quem trabalhava com a comunicação comercial da
época. Era, convenhamos novamente, melhor Propaganda do que Reclame.
Proliferaram as agências de propaganda, assim como as de
publicidade – como se as duas coisas fossem a mesma coisa. Nos anos 70, no
século passado (foi ontem!), as noções de Marketing e do uso de outros
instrumentos de comunicação, passaram a chegar ao mercado brasileiro,
trazidas, também, pelas agências norte-americanas e pelas companhias
multinacionais (a maioria norte-americanas).
E as
editoras passaram a editar mais e mais livros a respeito do assunto da
comunicação e do marketing. Foi a partir deste momento, acredito, que a
coisa piorou, pois a palavra Publicity (que significa Assessoria de
Imprensa e Relações Públicas) passou a ser equivocadamente traduzida
(geralmente por leigos no assunto) como Publicidade, e Advertising
traduzida como Propaganda.
Jornalistas especializados engrossam, desde então – na mídia do setor – a
confusão. E todo mundo passou a confundir as duas coisas – até na
Universidade. Lógico, se os livros dizem que Adversiting é
Propaganda, e Publicity é Publicidade...
Convém
definir: “Publicidade é a criação e a veiculação de mensagens de vendas,
para públicos selecionados, de forma eficiente”, segundo o renomado
professor Don Schultz, da Northwestern University.
É tão
simples! Publicidade é mensagem de vendas. Propaganda é mensagem política,
ideológica ou religiosa. Mas não parece tão simples, para a imensa maioria
dos brasileiros e, em especial, dos publicitários. Até o momento em que o
profissional da Publicidade vai trabalhar numa multinacional e tem que
mandar um relatório para a matriz – seja ela onde for. Se ele escrever que
“os nossos investimentos em Propaganda...”, ou “o nosso planejamento de
Propaganda”... num e-mail, “umzinho” só, vai perder o emprego, por justa
causa. Afinal, vocês acham que a matriz vai entender a nossa confusa
definição do que é o quê?
Não vamos corrigir este equívoco histórico? Vai demorar, mas alguém tem que
começar a colocar os pingos nos ‘is’ “.
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